Breve História dos Bancos Cearenses

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Henrique Marinho

Economista, consultor econômico e membro da Academia Cearense de Economia. Foi servidor do Banco Central do Brasil e professor da Universidade de Fortaleza. É autor de livros nas áreas de economia monetária, comércio internacional e política cambial, tendo publicado, em 2024, A Saga dos Empresários Imigrantes na Economia Cearense.

 

A tradição do estado de Ceará tem demonstrado a tendência a ter a atividade bancária como um segmento importante da economia do estado e que a economia cearense, na segunda metade do ano de 1970, tinha cinco bancos comerciais privados (BMC, Bancesa, Banfort, Bic, Parnaíba) e um banco estatal, o BEC. Esse número era proporcional ao tamanho do estado em relação ao país.
O objetivo deste artigo é descrever essa parte importante da nossa economia.
A historiografia bancária cearense é muito pouco explorada nos estudos sobre a formação da economia cearense e, portanto, reunir informações sobre os primeiros bancos a se instalarem no estado foi uma tarefa muito difícil, mas que conseguimos resgatar sua essência. O que se observa é que com a extinção dos bancos sediados no estados, os empresários e pequenas negócios locais ficaram a depender apenas do Banco do Nordeste como instituição pública a financiar as atividades econômicas locais, uma vez que as agências bancarias existentes tem sede, na sua maioria, no sudeste do país, e priorizam sua região.


 

Os primeiros bancos brasileiros só surgiram com a chegada da Corte Portuguesa ao Brasil em 1808, quando foi criado o Banco do Brasil e posteriormente alguns bancos privados. O surgimento dos primeiros bancos privados no Brasil concretizou-se em 1835, sendo que uma das primeiras instituições financeiras criadas no estado do Ceará pelo seu presidente da província foi o Banco Provincial do Ceará, por José Martiniano de Alencar, na primeira metade do século XIX. Por sinal, o estado do Ceará tem uma rica história de uma tradição de bancos, a começar por instituições bancárias criadas pela ação social da igreja católica que criou três instituições bancárias, depois transformadas em bancos privados que contribuíram com o desenvolvimento econômico do estado. O Banco Provincial criado, em 1835, não ofereceu condições favoráveis ao seu sucesso, porque, depois de anos de descontrole de emissões, falsificação desenfreada das moedas de cobre, desvalorização cambial e crescimento vertiginoso da dívida do governo, medidas sérias passam a ser adotadas para dotar o país de um padrão monetário consistente e de uma moeda forte, com devido lastro metálico. 

Depois da experiência do Banco Provincial, já no período republicano, foi implementada pelo surgimento de cooperativas, muitas delas ligadas às atividades econômicas de comerciantes, comerciários, importadores, exportadores e de diversos setores da economia cearense. Registramos, já no início do século XX, uma categoria de bancos muito especial que foi criada pela ação social da Igreja Católica, muito mais como uma ação benevolente para as classes menos favorecidas que eram exploradas pelos bancos, com juros exorbitantes. 

Dentre as diversas instituições bancárias surgidas depois do fracassado Banco Provincial, citamos o Banco de Crédito Caixeiral, que era uma sociedade cooperativa de responsabilidade limitada, ligada à Associação dos Comerciários, conhecida como Fênix Caixeiral, denominação dada aos vendedores das casas comerciais, com matriz em Fortaleza e filial na cidade do Crato. Realizava as operações de desconto dos títulos de curto e longo prazo, encarregava-se da cobrança de títulos na praça de Fortaleza e em todo território nacional de comerciantes exportadores e industriais consumidores. Podemos também citar o Crédito Auxiliar dos Merceeiros, que era uma Sociedade Cooperativa de Responsabilidade Limitada, fundada em 1925 pela Associação dos Merceeiros, com sede em Fortaleza, criada para suprir as dificuldades enfrentadas pelo comércio, pela lavoura e pela indústria, conforme consta na propaganda divulgada no Álbum de Fortaleza de 1931, registrando que  “aceita recebimentos de depósitos em dinheiro para livre movimentação em caderneta de movimento com retiradas livres e em conta corrente limitadas, fornecendo talões de cheques. Também recebe dinheiro a prazo fixo de 3, 6 e 12 meses em cadernetas e em letras, abonando os melhores juros”. Da mesma forma, concedia empréstimos populares a longo prazo (12 meses, exclusivamente com os seus associados). Registramos ainda, a fundação do Banco de Crédito Agrícola de Sobral, fundada em 1921, também era uma Sociedade Cooperativa de Responsabilidade Limitada, o Operava recebendo depósito com “retirada livre”, depósitos com aviso prévio e depósitos com prazo fixo de um ano, remuneradas a taxas que variavam de 6% e 8% ao ano. Descontava títulos, operava com crédito em conta corrente e fazia pequenos empréstimos agrícolas e comerciais, assim como, encarregava-se de cobrança por conta de terceiros e transferência de fundos.

Além dessas instituições bancárias citadas, destaca-se a criação de instituições bancárias que foram instituídas pela Ação Social Católica no Ceará. Segundo o pesquisador Carlos Negreiros Viana os bancos foram criados “Sob a inspiração da Encíclica Rerum Novarum, a Igreja Católica do Ceará, através da Ação Social Católica, criou o “Crédito Popular São José”, em Fortaleza, em 1920, o “Banco do Cariri”, no Crato, em 1921, e o “Banco Popular de Sobral”, naquela cidade, em 1927”.

O Banco de Crédito Popular São José, de orientação católica, foi fundado para auxiliar as classes populares, com o “intuito de favorecer à pobreza oprimida pela desenfreada usura dos tempos”. Em 1938, o “Crédito Popular S. José é transformado em uma sociedade anônima, denominada de “Banco Popular de Fortaleza S.A.”.  Outra Instituição criada sob os auspícios da Igreja católica foi o Banco do Cariri, que foi constituída em 1921, no Paço Municipal do Crato, como uma sociedade cooperativa de responsabilidade limitada. O “Banco do Cariri” também fazia operações de descontos e de empréstimos garantidos, bem como realizava transferências para qualquer praça do país ou do estrangeiro, encarregava-se de cobranças de saques e promissórias (Viana, 2012, p.154 e 155). Uma terceira instituição criada pela Igreja católica foi o Banco Popular de Sobral, constituído em 1927 como uma sociedade cooperativa de responsabilidade limitada, e transformou-se em uma sociedade anônima, com a denominação de Banco de Crédito Popular de Sobral S.A. Em 1964, a razão social mudou de “Banco de Crédito Popular de Sobral S.A.” para “Banco de Sobral S.A.” Essa nova razão social mudaria, em 12/05/1969, para “Banco do Ceara S.A.” (Bancesa).

O estado abrigou o surgimento de instituições financeiras ligadas às atividades econômicas, conforme o Professor Carlos Nogueira Viana, em seu livro “Empresários e Empresas: Início da Industrialização do Ceará”. Dentre esses, o Banco dos Importadores foi fundado pelo empreendedor Antônio Diogo Siqueira, industrial cearense que dominou por bastante tempo as mais importantes indústrias do estado, com a firma Siqueira, Gurgel, Gomes & Cia Ltda, a Exportadora Cearense Ltda, a Usina Ceará, a Fábrica Santa Elisa, a Fábrica Ceará Industrial, entre outras, foi também responsável pela criação do banco para dar suporte financeira às suas atividades industriais e de exportação e importação. O “Banco dos Importadores” fazia todas as operações bancárias e se encarregava de cobrança de títulos, em todos os estados brasileiros, e de transferências de fundos, mediante comissões, dispondo para isso de ótimos correspondentes e aceitava depósitos a prazos fixos e com retiradas livres, abonando juros compensadores aos depositantes. Outra instituição importante, segundo Carlos Viana no seu livro citado, foi o Banco dos Proprietários, criado pelo Cel. Antônio Diogo, que ao longo de sua vida, também aplicou seus capitais na aquisição e na construção de imóveis em Fortaleza, tinha como principal área de atuação, além de receber depósitos e de carteira de cobrança de alugueis de casas. Em 1917, a firma Frota & Gentil, de propriedade do empresário José Gentil de Carvalho, nascido em Sobral em 1866, instala uma seção bancária em seu estabelecimento comercial, localizado na antiga Praça de José de Alencar, onde já funcionavam, desde 1893, uma seção de fazendas e outra, de estivas, fundando o Banco Frota Gentil. Em 1934, segundo o Almanaque do Ceará é anunciado que o referido banco faz todas as operações bancárias; compra e vende cambiais; saca sobre as principais praças do país e do estrangeiro, por telegrama e por cheque; emite cartas de crédito e abre créditos comerciais; aceita depósitos em conta corrente, com retiradas livres, com prévio aviso e a prazo fixo; desconta duplicatas e promissórias às taxas de mercado; empresta dinheiro sob caução de títulos, hipotecas ou penhor de mercadorias; encarrega-se de cobranças em todas as praças do país e do exterior; compra e vende moedas estrangeiras; e dispor de armazéns para guardar mercadorias. (Viana, 2007, p. 207).

Registramos também a existência de outra instituição bancária de relevância na economia cearense que foi o Banco União S.A. Com a implementação da reforma bancária de meados da década de 1960, que visava promover uma concentração nacional do setor, bancos do porte do “União” passaram a viver momentos críticos. Luiz Vieira falece em 06/03/1966 e, em 17/05/1968, ocorre a liquidação do “Banco União S.A.”, cujo espólio passa para a propriedade do “Banco Econômico da Bahia S.A.”. Em 21 de julho de 1964, por determinação de sua diretoria, fecha as portas o Banco União S. A. 

Algumas das instituições bancárias anteriormente descritas foram evoluindo e se transformando realmente em “bancos”, alterando o seu estado legal de “sociedades cooperativas de responsabilidade social” para sociedades anônimas, requerimento exigido pela nova lei das instituições bancárias. Com a reforma bancária de 1964, todos os bancos existentes e se transformarem em sociedades anônimas, como requeria a nova lei..

Dentre as principais instituições bancárias sediados no estado, destacamos o BANCESA, originalmente, “Banco de Crédito Popular de Sobral”, fundado em 1927 pela Ação Social Católica, Mudam a razão social em 1964 para Banco de Crédito Popular de Sobral S/A até 1969, quando passa a se chamar Banco do Ceará S.A – BANCESA e por fim, mudou para Banco Comercial Bancesa S/A nome que usou até o encerramento de suas atividades (Jawdat Abu-El-Haj, 1988 e Negreiros, 2012). O Banco Comercial Bancesa sofreu intervenção do Banco Central do Brasil que depois decreta a liquidação extrajudicial do Banco Comercial Bancesa, “tendo em vista insuficiência patrimonial, incapacidade financeira de honrar compromissos e violação grave das normas legais que disciplinam as atividades das instituições financeiras”. 

Outra instituição que desempenhou um importante papel na economia cearense foi o Banco Popular de Fortaleza. Segundo Jawdat Abu-El-Haj a origem do Banco Popular de Fortaleza é oriunda da criação, em 17 de novembro de 1920, pela Ação Social da Igreja Católica da “Cooperativa Crédito Popular São José”. Conforme o cronograma do autor, em 8 de janeiro de 1938, o “Banco Popular de Fortaleza” foi fundado com capital social de 2.000.000 reis. A partir de 1982 o Banfort inicia sua expansão para outros estados, abrindo agência em Brasília, Rio de Janeiro e Belém. Em março de 1986 muda a razão social de Banco Popular de Fortaleza para Banco Fortaleza S/A- BANFORT: com capital social de Cz$13.483.146 cruzados. Em 1997, o Banco Central do Brasil decretou a liquidação extrajudicial do Banfort por problemas de liquidez e por operações a descoberto de operações de crédito com empresas que apresentavam dificuldades para pagar suas dívidas. Como extensão, foi também decretada e liquidação extrajudicial da Corretora Banfort de Câmbio e Valores S.A, com sede no Rio de janeiro

Outra instituição relevante foi o Banco Comercial e Industrial do Ceará- BIC. Segundo relato do pesquisador Jawdat, em setembro de 1931 é fundado o Banco do Juazeiro. No entanto, em março de 1938, o Banco do Juazeiro foi transformado em uma Sociedade Anônima, data essa que é considerada por muitos como a data da fundação. Em 1944, a Cooperativa de Crédito de Juazeiro recebe a patente de Banco do Juazeiro. Em maio de 1972 o Banco do Juazeiro compra o Banco do Cariri (Crato) e muda a razão social para Banco Industrial do Cariri, que em 1974 compra o Banco dos Proprietários de Fortaleza. A nova razão social do banco passa para Banco Industrial do Ceará S.A e em 1991 passa a denominar-se de BICBANCO. Em 2013, o BicBanco foi adquirido pelo China Constructions Bank (CCB), segundo maior banco comercial da China e encerrou suas atividades como um banco genuinamente cearense. 

Em 17 de junho de 1939 é fundado em Fortaleza como Banco Central do Nordeste, como precursor do Banco Mercantil de Crédito. Em 1957, a razão social da instituição mudou de Banco Central do Nordeste para Banco Mercantil do Ceará,. No final da década de 1970 e início de 1980, o banco inicia sua expansão abrindo agências em Belém, Teresina, Recife e Manaus, Brasília, Maceió, Rio de Janeiro, Curitiba, Belo Horizonte  e Salvador e em novembro de 1985, o banco transferiu a matriz de Fortaleza para São Paulo e alterou a denominação para BANCO BMC S.A. Desta forma, houve a transferência da administração central do banco para o centro financeiro do país, localizado em São Paulo, onde já concentrava o maior volume de seus negócios.. Em janeiro de 2007, o Banco Bradesco adquiriu o BMC, que logo depois teve sua razão social alterada para Banco Finasa BMC S.A.

Registramos ainda, como parte da nossa história bancária, registramos a criação do Banco de Parnaíba, em 1940 e depois denominado de Banco Pontual S.A. Em dezembro de 1970, e em 1998 o Banco Central decretou, inicialmente, a intervenção no Banco Pontual S.A., depois transformada em liquidação extrajudicial tendo em vista a existência de passivo a descoberto e a inviabilidade de normalização dos negócios da empresa.

O Estado do Ceará só veio a constituir uma instituição bancária no primeiro governo de Virgílio Távora (1963-1966), o Banco do Estado do Ceará S.A. Em 1969, a Lei nº 9.346 autoriza a transformação da Companhia de Desenvolvimento Econômico do Ceará – Codece no Banco de Desenvolvimento do Ceará – Bandece. Criado o BEC em 1962, sua implantação ocorreu, de fato, em 23 de junho de 1964, no governo de Virgílio Távora, com a instalação de sua sede e de sua primeira agência, com um capital registrado de Cr$120.000.000,00 (cento e vinte milhões de Cruzeiros).

Com a implantação do Plano Real, em 1994, os lucros dessa Instituição passaram a declinar provocando, consequentemente, perda de sua rentabilidade. Esta situação decorreu, principalmente, da perda das receitas inflacionárias, que eram comuns até à implementação daquele Plano. Em julho de 1998 o Governo do Estado assina com a União carta de federalização do BEC e em novembro do mesmo ano a Assembleia Legislativa do Estado aprova a federalização. Em maio de 1999, é oficializada a federalização onde o referido banco passa a ser gerido sob égide do Banco Central. O Banco Central determinou a fusão do BEC com o Banco de Desenvolvimento do Ceará – Bandece, resultando somente no Banco do Estado do Ceará – BEC.

Em resumo, veja o histórico da evolução dos Bancos Sediados no Ceará

 

Banco

Nome original

Ano de fundação

Destino

Ano da venda ou Liquidação 

Banco Comercial Bancesa

Banco de Crédito Popular de Sobral

1927

Liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central em 1995.  

Decretada cessada a liquidação em 2003

Banco Popular de Fortaleza

Cooperativa de Crédito São José

1938

Liquidação extrajudicial pelo Banco Central do Brasil em 1997

Decretada cessada a liquidação em 2003

Banco Industrial e comercial- BIC

Banco de Juazeiro

1931

O BicBanco foi adquirido pelo China Constructions Bank (CCB), o segundo maior banco comercial da China.

2013

Banco Mercantil do Ceará- BMC

Banco Central do Nordeste

1939

O BRADESCO  adquiriu o BMC

2007

Banco de Pontual  S.A

Banco de Parnaíba

1940

Liquidado extrajudicial pelo Banco Central em 1999

Decretada cessada a liquidação em 2010

Banco do Estado do Ceará- BEC

 

1964

Inicialmente foi federalizado, sob  o controle do Banco Central do Brasil, pelo PROER  e depois privatizado para o BRADESCO

2005

Banco de Desenvolvimento do Ceará- BANDECE

 

1966

Foi liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central do Brasil

1998

Fonte: Quadro elaborado pelo autor

O Estado destaca-se por sediar um Banco Regional de Desenvolvimento _ O Banco do Nordeste do Brasil. Em 1952, foi criado o Banco do Nordeste (BNB), com atuação mais ampla na esfera do financiamento, e, em 1959, a Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), especificamente para planejar o desenvolvimento da região, como resultado dos estudos realizados pelo Grupo de Trabalho para o Desenvolvimento do Nordeste (GTDN), estruturado pelo Presidente da República e capitaneado por Celso Furtado no BNDE, à época, seu diretor. Também registramos a criação da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste- SUDENE, com o objetivo de impulsionar o desenvolvimento regional e sediada em Recife.

O Banco do Nordeste foi criado para atuar no chamado Polígono das Secas, designação dada a perímetro do território brasileiro atingido periodicamente por prolongados períodos de estiagem. A empresa assumia, então, a atribuição de prestação de assistência às populações dessa área, por meio da oferta de crédito. Em 72 anos, o Banco teve sua atuação ampliada: está presente em cerca de 2 mil municípios, abrangendo toda a área dos nove estados da Região Nordeste (Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia), além de parte de Minas Gerais (incluindo os Vales do Mucuri e do Jequitinhonha) e o norte do Espírito Santo. Mantém a liderança na aplicação de recursos de longo prazo e de crédito rural em sua área de atuação. São clientes do Banco agentes econômicos, institucionais e pessoas físicas. Os agentes econômicos compreendem as empresas (micro, pequena, média e grande empresa), as associações e cooperativas. Os agentes institucionais englobam as entidades governamentais (federal, estadual e municipal) e não-governamentais. As pessoas físicas compreendem os produtores rurais (agricultor familiar, mini, pequeno, médio e grande produtor) e os empreendedores informais.

Outras instituições financeiras não bancárias também desempenharam um papel muito importante na economia cearense com as pertencentes ao mercado de capitais que foi bastante dinâmico. O estado possuía uma Bolsa de Valores, várias Corretoras e Distribuidoras de Valores Mobiliários e Câmbio, além de empresas do mercado financeiro não monetário como uma pertencente à Sociedade de Crédito Imobiliário, e uma Associação de Poupança e Empréstimo.

A Bolsa do Ceará, segundo Raimundo Padilha, foi criada em 1927, pelo Governo do Estado, sob a denominação de Bolsa Oficial do Ceará, quando da fundação da Câmara dos Corretores dos Fundos Públicos do Ceará, nomeados pelo Governo Estadual.  Na prática, àquela época, havia uma Bolsa em cada Estado. As suas operações se realizavam, predominantemente, através de leilões de cotas de câmbio definidas pelo Ministério da Fazenda. (Padilha, 2024, p. 132)

A Bolsa Oficial do Ceará foi extinta em 1974, quando foi criada a Bolsa de Valores do Ceará — BVC. A Bolsa do Ceará realizou seu primeiro pregão três anos mais tarde, em 4 de fevereiro de 1977. Em 1980, ocorreu a fusão da Bolsa de Valores do Ceará com a Bolsa de Valores do Rio Grande do Norte e, dois anos mais tarde, passou a abranger os estados do Piauí, Maranhão, Pará e Amazonas, estando a sede situada em Fortaleza. Com a regionalização, a BVRG passou a contar com 34 títulos patrimoniais e atuando em uma grande área do Território Nacional representada por cerca de 42% da área do Brasil. 

As principais Corretoras e distribuidoras de títulos e valores mobiliários existentes no Ceará faziam da Bolsa de Valores Regional uma importante instituição, dentre elas, a Única Corretora de Valores e a Pax Corretora. O estado do Ceará contou também com as empresas Credimus, uma Sociedade de Crédito Imobiliário que pertenceu à Elano de Paula e a Crédimus Distribuidora de Valores, do conglomerado do Grupo Crédimus, dirigida por Raimundo Padilha e ligadas ao Sistema Financeiro de Habitação, o estado contava com a Domus, uma empresa do sistema de Associação de Poupança e Empréstimos (APE), que foi fundada em 6 de agosto de 1968, em Fortaleza.

Outra empresa de destaque foi a Oboé Financeira, com sede em Fortaleza e forte atuação regional, juntamente com a Oboé Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, pertencente ao empresário Newton de Freitas e veio a sofrer intervenção e, posteriormente liquidação extrajudicial, do Banco Central em 2011, por “comprometimento patrimonial e financeiro da sociedade”. 

Referências  

ALBUQUERQUE, Paulo Regis da Silva-Levante Usurário: José Martiniano de Alencar e o Banco Provincial do Ceará ante o Centralismo Imperial (Fortaleza-Ceará, 1835-1839). ANPUH-Brasil – 31° Simpósio Nacional de História. Rio de Janeiro/RJ, 2021.

JAWDAT, Abu-El-Haj- Cronologia do Capital Financeiro Privado Cearense, UFC, Núcleo de Documentação Cultural. Série Ideias n. 13. 1988

MARINHO, Henrique- Sistema Financeiro Nacional e os Bancos Cearenses: do Império ao Século XXI. São Paulo. Editora Paco. 2025

PADILHA, Raimundo- Contação das Minhas Memórias. Editora Expressão Gráfica e Editora. Fortaleza. 2024

VIANA, Carlos Negreiros- Os Bancos Criados pela Ação Social Católica no Ceará: o Crédito Popular São José, o Banco do Cariri e o Banco Popular de Sobral. Revista do Instituto do Ceará. Fortaleza. CE. 2012

VIANA, Carlos Negreiros- Empresários e Empresas no Início da Industrialização do Ceará. Instituto do Ceará. Fortaleza. 2018.
























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